Ele pode ser consumido na sua forma natural, batido com frutas ou gelatina, usado como molho de salada e também como ingrediente das mais gostosas receitas – doces e salgadas. O iogurte é mesmo um alimento democrático, mas o melhor de tudo é que ele é saudável e muito nutritivo. E essas propriedades são mantidas até na versão industrializada. Por isso, não deixe faltar iogurte em sua geladeira!

 

 

Obtido através do leite coalhado com as bactérias Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus termophilus, o iogurte tem consistência cremosa e um sabor levemente ácido que vem conquistado paladares há muitas e muitas gerações. Na verdade, não existem informações exatas sobre sua origem, mas dizem que a coalhada já era vendida na cidade de Constantinopla, antigo nome de Istambul, em pleno século XII.

O processo de fermentação do leite não altera suas propriedades nutritivas, apenas o torna mais digerível. Isso acontece porque a liberação do ácido lático, substância que faz o leite coalhar, acontece depois que as bactérias consomem lactose (o açúcar do leite).

As pessoas que têm intolerância leve à lactose, por exemplo, podem se beneficiar do iogurte, que mantém todos os benefícios do leite em seu estado original. Veja alguns exemplos.

 

Benefícios que não acabam mais!

Para começar, é importante saber que os microorganismos vivos presentes no iogurte equilibram a flora intestinal, prevenindo o crescimento de agentes causadores de doenças. Essa característica dá ao iogurte o título de alimento probiótico.

Como se trata de um derivado direto do leite, o iogurte é importante fonte de proteínas de alto valor biológico, cálcio, zinco, vitamina A e vitaminas do Complexo B. Estes e outros nutrientes fazem com que o iogurte:

– Contribua para a saúde dos ossos, prevenindo a osteoporose;

– Contribua para a saúde da pele, visão, unhas e cabelos;

– Ajude na produção de anticorpos, enzimas e hormônios, que reforçam o sistema imunológico e contribuem para o aumento da longevidade.

Repleto de vantagens nutricionais, o iogurte é um alimento recomendado para toda a família! Ideal para o café da manhã ou o lanche da tarde, pode ser incrementado com frutas, cereais e tudo o que a imaginação permitir. Recomenda-se apenas que os intolerantes à lactose conversem com o médico para obter a liberação do seu consumo.

Bom apetite!

😉

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Verdades sobre a gestação

A gravidez é uma aventura e tanto na vida da mulher. São tantas alterações, físicas e emocionais, que nada é mais natural do que ter muitas dúvidas. Para ajudar a desvendar este momento tão especial, preparamos algumas “verdades” sobre as mudanças no corpo e os cuidados necessários na gestação. Afinal, por que a grávida sente mais sono? Em que período a gravidez é mais delicada? Descubra agora!

 

 

As gestantes podem sentir mais sono do que o normal?

 

Devido às alterações hormonais próprias da gravidez, é comum as mulheres ficarem mais sonolentas, principalmente nos primeiros meses. Por isso, para ter suas energias renovadas, respeite os seus momentos de preguiça sempre que possível.


Futura mamãe, fique bem longe do cigarro!

Como não é mais novidade para ninguém, o cigarro tem diversas substâncias prejudiciais à saúde, entre elas, a nicotina. No caso da gravidez, o fumo pode acarretar calcificação placentária, parto prematuro e retardo no crescimento fetal. Além de não fumar, as gestantes devem se manter afastadas da fumaça, que também faz mal.

Em que período a gravidez é mais delicada?

Considerando toda a gravidez, o primeiro trimestre é o mais perigoso em relação a perdas fetais. Após 12 semanas, o risco normalmente decai bastante. Embora o repouso seja recomendado apenas em casos específicos, a dica é não abusar nos primeiros meses de gravidez. Conte sempre com as recomendações do seu obstetra de confiança.

 

 

A gravidez propicia o aparecimento de candidíase vaginal.

As alterações hormonais do período também provocam mudanças no meio vaginal, facilitando a proliferação de fungos, em especial a Cândida sp., que causa coceira, vermelhidão e corrimento esbranquiçado. Para prevenir o problema, redobre os cuidados. Entre eles: use apenas calcinhas de algodão; evite roupas apertadas; durma sempre com roupas largas e confortáveis; use sabonete neutro para a higiene íntima; e, é claro, consulte sempre seu médico.

O ácido fólico é mais do que recomendado para quem pensa em engravidar.

Devendo ser usado pelo menos três meses antes da concepção até o primeiro trimestre da gravidez, o ácido fólico previne malformações fetais. Não deixe de conversar com seu médico sobre o uso deste importante suplemento vitamínico.

Ficar com mais vontade de fazer xixi é bastante comum na gestação.

Como o útero cresce próximo da bexiga, seu peso estimula a mulher a urinar mais vezes. Outra explicação para esse fenômeno é o fato de, na gestação, existir mais sangue circulando no organismo da mulher, que é filtrado pelos rins e transformado em urina. Assim, nada de ficar achando que essa vontade é frescura: grávida tem mais vontade de fazer xixi e ponto!

A vida sexual da grávida pode continuar ativa?

Desde que a gestação não apresente problemas ou exija cuidados especiais, a vida sexual da futura mamãe pode seguir normalmente. Mas não deixe de ter uma boa conversa com seu obstetra sobre esse tema: além de deixá-la mais segura, ele poderá alertá-la sobre as situações específicas em que o sexo deve ser evitado.

Posso ter ressecamento vaginal?

Esta é mais uma transformação provocada pela revolução hormonal que acontece dentro do seu corpo durante a gravidez, e, neste caso, o responsável é o aumento de progesterona. Nas relações sexuais, você pode usar lubrificantes vaginais. O médico deve ser avisado caso haja piora do quadro, o que pode indicar processos inflamatórios ou infecciosos.

Isso mamães. Agora no próximo post falaremos sobre os mitos que rondam o imaginário popular quando se trata de um espera tão especial.

 

 

 Mitos sobre a gestação

Desde tempos remotos, a gravidez é um dos períodos da vida mais cercados de mistérios e encantamentos – afinal, poucas coisas podem ser tão emocionantes quanto a gestação de um outro ser. Vem dos tempos antigos também alguns dos mitos que até hoje fazem a cabeça de muitas mulheres, como a idéia de que grávida não deve comer frutas ácidas. Conheça essa e outras lendas sobre o período da gestação.

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Grávidas não devem fazer exercícios físicos
Muitas gestantes praticam exercícios regularmente sem que haja prejuízo para elas ou para o bebê. A atividade física é, na verdade, vantajosa para a futura mamãe, pois promove bem-estar, melhora a circulação sangüínea e o padrão de sono, alivia dores lombares, entre outros benefícios. Antes de começar a se mexer, no entanto, seu obstetra precisa liberar a prática, pois há casos em que ela realmente não é recomendada. Lembre-se, também, que neste período deve-se privilegiar modalidades de baixo impacto, como hidroginástica, caminhada e relaxamento.


Massagens ajudam a aumentar o leite para a futura amamentação

A própria natureza se encarrega de preparar os seios da mulher, por isso, cuidados especiais não são necessários. Quando o assunto é a produção de leite, a regra é uma só: quanto mais o bebê mama, mais leite materno é produzido!

Cólicas na gravidez devem sempre causar preocupação
Na gravidez, o útero cresce e faz pressão nas estruturas pélvicas vizinhas, o que torna as cólicas bastante comuns, principalmente no início. De toda forma, você precisa manter seu médico informado sobre toda e qualquer manifestação que sentir no decorrer da gestação.


O excesso de azia indica que o bebê será do sexo masculino

A azia nada mais é do que um dos principais desconfortos relatados na gravidez. Mais freqüente a partir do segundo trimestre, quando o bebê está maior, ela acontece devido ao aumento do útero, que comprime o estômago e faz o conteúdo gástrico refluir. Ou seja, o desconforto da azia não tem nada a ver com o sexo do bebê: pode acontecer tanto na gestação de meninos quanto na de meninas.

Frutas ácidas fazem mal ao bebê, por isso as grávidas devem evitá-las
Não existe nenhum estudo específico que comprove essa afirmação. As grávidas, na verdade, devem preocupar-se em ter uma dieta saudável e balanceada. Assim, caso gostem de frutas ácidas e não tenham problemas gástricos, podem consumi-las sem problemas. Há quem diga, inclusive, que este tipo de fruta ajuda a diminuir a sensação de enjôo e náusea, mas atenção: assim como tudo na vida, nada de exagerar na dose.

Tingir o cabelo não faz mal…
A orientação da grande maioria dos especialistas é a de a mulher não usar produtos químicos (tintura, relaxamento, permanente, etc.) no cabelo durante o período de gestação. O couro cabeludo é muito vascularizado, o que permitiria que substâncias tóxicas chegassem até o bebê através da corrente sangüínea. Se você gosta de colorir os cabelos, não fique triste: uma alternativa mais segura é usar corantes naturais, sem amônia, como a hena.

Mulheres acima de 35 anos não podem ter parto normal
A idade não é determinadora do tipo de parto, mas sim fatores como sedentarismo, presença de pressão alta, diabetes, elasticidade do tecido, tamanho fetal, riscos envolvidos, etc. Muitas mulheres acima de 35 anos têm parto normal sem problemas. O que deve ser considerado é o seu caso específico e as orientações do seu obstetra.

Um bebê “mais quietinho” é sempre sinal de problema

Desde a barriga, cada pessoa tem suas características peculiares! É por isso que uns bebês podem se mexer tanto, enquanto outros são mais quietinhos. Além disso, pode ser que algumas mulheres possam ter mais sensibilidade em perceber as movimentações do feto. O mais importante neste assunto é o médico acompanhar a gravidez e fazer todos os exames necessários para saber como anda a saúde do bebê.

Agora que você já conhece alguns mitos da gravidez, aguarde nosso próximo post. Será as  “verdades” deste acontecimento tão importante da vida da mulher.

    

investir em poupança para os filhos?

Nos últimos quatro anos, aumentou em 26% o número de poupadores entre 1 e 15 anos de idade na Caixa Econômica Federal; retorno do hábito de guardar dinheiro para os filhos está ligado à estabilidade da economia após o Plano Real

O costume de guardar dinheiro na caderneta de poupança, em nome dos filhos, está ganhando força como opção de investimento no Brasil. Embora a Bolsa de Valores e a previdência privada tenham, nos últimos anos, conquistado a simpatia das famílias, a poupança ainda é considerada uma aplicação segura, simples e indicada a longo prazo.
Dos 42 milhões titulares de poupança da Caixa Econômica Federal – uma das referências quando o assunto é a caderneta -, 1,5 milhão são jovens entre 1 e 15 anos de idade. Só nos últimos quatro anos, de acordo pesquisa interna do banco, o número desses poupadores cresceu 26%, em grande parte incentivados pelos pais, que fazem pequenos depósitos todos os meses.


Juntos, os jovens já são responsáveis por mais de R$ 1,8 bilhão depositados na Caixa. ‘Hoje existe uma preocupação, até maior que no passado, de os pais prepararem a poupança para o filho’, justifica Milton Krüger, superintendente nacional de renda básica da Caixa.

Krüger revela que, desde 2003, a estratégia de divulgação da Caixa está voltada para os jovens. ‘Nós reeditamos os cofrinhos de moedas e apoiamos a educação financeira.’


A abertura de caderneta de poupança para os filhos também é comum em outros bancos, embora nem sempre seja possível identificar a quantidade de contas em nome de jovens. Isso porque é comum o pai usar seu próprio CPF.

Para o consultor financeiro Paulo Adriano Freitas Borges, o costume está ligado à história econômica do País. ‘Há 30 anos existiam instituições voltadas apenas para a caderneta de poupança’, explica Borges. ‘As crianças ganhavam cofrinhos de papelão, em forma de latinha, e aprendiam a poupar.’
Com a disparada da inflação, no fim dos anos 1980, o hábito perdeu força. Por que guardar moedas que, em pouco tempo, valeriam quase nada? ‘A retomada da poupança é uma obra da estabilidade, que surgiu após 1994, com o Plano Real’, afirma Borges.

A inflação baixa, aliada à segurança da poupança , que garante rendimento de pelo menos 0,5% ao mês, chama a atenção dos pais, preocupados com o futuro dos filhos. Nos últimos 12 meses, o Ibovespa – índice que mede o rendimento da Bolsa de Valores – e o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) apresentaram rendimento superior ao da caderneta (veja quadro). Mesmo assim, a poupança ainda é vista como um primeiro passo para o jovem. ‘A caderneta é a sala de espera de qualquer investimento’, resume Borges. ‘E a regularidade é mais importante que o valor. Se os pais depositarem uma quantia todo mês, isso vai dar confiança ao filho.’

O economista Marcos Crivelaro, da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), destaca a facilidade da poupança. ‘Com R$ 50 ou R$ 100, você já pode abrir uma conta’, explica.


Os pais devem ainda aproveitar o momento para transmitir conceitos econômicos. ‘Leve a criança ao banco e deixe-a se familiarizar com as operações’, defende Borges. O hábito vai transformar a criança em um adulto responsável.

Devo deixar meu filho com a família?  

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Na hora de escolher quem vai cuidar do seu filho enquanto você trabalha, uma das opções mais apreciadas é a de contar com a ajuda de familiares. Afinal, conhecer bem as pessoas que estarão com a criança garante tranqüilidade. Mas, apesar do lado bom, alguns fatores devem ser considerados. Conheça as vantagens e desvantagens dessa opção de cuidado.   Como existe uma relação de afinidade por parentesco, os pais sentem-se seguros em deixar o filho com a família, já que sabem que a pessoa responsável realmente se interessa pela saúde, felicidade e bem-estar da criança.

 
Para muitos casais, essa condição representa uma vantagem indiscutível em relação a outras opções, como a contratação de uma babá ou a inscrição da criança em uma creche ou escola infantil. Além disso, quando se trata de alguém da família, os pais em geral têm mais acesso a informações sobre a história da pessoa e seus hábitos.
 

Uma das principais preocupações dos pais que recorrem a outras soluções é que, ao deixarem seus filhos durante o dia todo aos cuidados de outras pessoas, é natural que as crianças adotem valores passados por quem cuida delas, o que nem sempre coincide com os conceitos da família.

 
Outro ponto que costuma agradar aos pais é o fato de a criança passar o dia na própria casa, o que não ocorre se a opção for um berçário ou uma creche. Cuidada por uma pessoa da família, a criança permanece em seu próprio ambiente ou na casa da pessoa responsável, um espaço considerado mais acolhedor do que um ambiente institucional.
 

Finalmente, um aspecto que muitos pais levam em consideração é a proporção de adultos para cada criança. Mesmo que o casal tenha mais de um filho e o familiar tome conta de ambos, a atenção é bem maior do que em uma creche ou escola, estabelecimentos nos quais, em geral, um adulto se ocupa de seis ou sete crianças.


Com menor contato com outros colegas, reduzem-se as probabilidades de contágio de viroses, resfriados (e as conseqüentes dores de ouvido) tão comuns entre crianças que passam o dia em grupo.

 
Mas a vantagem mais óbvia, sem dúvida, é o custo: embora a maioria das pessoas que recorre aos cuidados de alguém da família costume oferecer algum tipo de compensação (financeira ou de outra natureza), em geral o gasto final é bem inferior à mensalidade de um berçário ou ao salário de uma babá.

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E quais são as desvantagens?

 
Infelizmente, deixar o filho com os familiares também tem aspectos negativos. Em geral, o contato estreito com a pessoa que toma conta de seu filho dificulta o estabelecimento de um relacionamento profissional.
   Isso pode provocar algumas situações difíceis. Por exemplo, alguns familiares, sobretudo os mais velhos, acreditam deter mais conhecimento sobre a educação e os cuidados com as crianças. Com isso, podem ignorar as recomendações dos pais no que se refere à alimentação, educação e sono do bebê.

 
Esse tipo de atitude não só afeta a autoridade dos pais, como confunde a criança – o que pode trazer desentendimentos entre a família. Para reduzir esse tipo de problema, os pais devem definir com clareza o que querem e determinar as regras desde o início.

 
Outra questão que pode trazer complicações refere-se à remuneração. Em alguns casos, os pais oferecem um valor em dinheiro para não parecer que estão tirando vantagem da situação, mas não raro o familiar recusa a oferta – embora quisesse aceitá-la. Quando isso acontece, uma das conseqüências possíveis é o uso constante de “indiretas” e insinuações que acabam desagradando os pais.

 
E, mesmo que os pais combinem uma remuneração com o familiar que se ocupa da criança, muitos se sentem em dívida em relação à pessoa, o que pode deixá-los menos dispostos a defender as próprias crenças em relação à educação do filho.

 
Se um familiar de mais idade – como a mãe ou tia de um dos pais, por exemplo – for o escolhido para a tarefa, a falta de energia pode ser uma desvantagem. Ainda que a pessoa tenha todas as condições de cuidar de um bebê, talvez não disponha da energia necessária para correr atrás de uma criança em fase de exploração.

 
Se a pessoa que cuida de seu filho (familiar ou não) não tiver energia para explorar novas maneiras de divertir e estimular a criança (ou até mesmo de protegê-la contra possíveis acidentes), avalie a possibilidade de matriculá-la em uma creche ou escolinha, talvez antecipando um pouco sua ida para o convívio com os coleguinhas.

 
Muitas crianças de dois, três ou quatro anos aprendem e se desenvolvem muito com a sociabilização, um recurso nem sempre disponível para quem é cuidado por um alguém da família.

 
Finalmente, ao contrário do que ocorre com as creches, escolas maternais e berçários, esse tipo de cuidado não é controlado pelos organismos do governo. Por isso, é essencial que os pais realmente confiem na pessoa a quem transferem o cuidado com os filhos e não tenham dúvidas quanto à segurança, à limpeza e ao conforto do ambiente.

 
Consultoria: Mônica Gazmenga, enfermeira.

A mãe ideal

março 26, 2008

A mãe ideal

Por Danuza Leão

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Ah, ser mãe é difícil; não existe filho que não tenha dito um dia – ou pelo menos pensado – “não agüento minha mãe”, e o pior: com toda razão. Há coisas a ser evitadas para que eles nos odeiem o menos possível. Toda mãe tem vontade de telefonar para o filho pelo menos duas vezes por dia. Meu conselho: não telefone. Deixe seu filho em paz, mas esteja sempre à disposição, a qualquer hora do dia ou da noite, para ouvi-lo reclamar do trabalho, da mulher, do filho que ele descobriu fumando um cigarro ou coisas do gênero. Quando ele disser que vai viajar, não pergunte jamais – jamais – o dia em que voltará. Se não resistiu e perguntou, não telefone para ele no dia da chegada, antes de ele ligar, ou corre o risco de ser vítima de alguma atrocidade, e todas somos; ou não? A mãe ideal é aquela que não dá palpite sobre nada, a não ser quando consultada e, mesmo assim, tomando o maior cuidado com o que vai falar. Se ele se queixar da mulher, não aproveite para dizer tudo que está atravessado na sua garganta desde o dia em que ele te abandonou por ela. Ouça tudo, mas fique muda, porque eles vão fazer as pazes e vai sobrar para quem? Não tente seduzir seu filho com propostas do tipo: “Domingo vou fazer aquele cozido que você adora, quer vir almoçar?” Se quiser ser mesmo uma mãe maravilhosa, mande levar na casa dele aquele bolo de laranja feito no tabuleiro, com cobertura de açúcar e limão, mas não telefone para saber se ele gostou. Quando ele ligar – se ligar – para dizer que adorou, não peça o tabuleiro de volta; esse, nunca mais. Tem hora pra tudo na vida, inclusive – e principalmente – para mãe. Dê um tempo: ninguém suporta ser tão fundamental à felicidade do outro, como as mães costumam deixar claro. É verdade, mas nem todas as verdades precisam ser ditas. Quer saber o que é uma mãe confortável? É aquela que tem vida própria: ou joga pôquer e ninguém vai tirá-la da rodinha de sábado, ou tem um namorado que não vai deixar, nem morta, para cuidar dos netos, ou tem um gato que não pode ficar sozinho. É claro que ele vai reclamar que não conta com você para nada; vai ser acusada de ser egoísta, mas, se pudesse escolher entre uma mãe que sufoca e a que vive e deixa viver, sabe qual ia preferir? Pois é isso mesmo. Goste dele mais do que tudo neste mundo, mas não diga nada. E não fique triste ao constatar que ele se importa mais com seus próprios filhos do que com você: a vida é assim, e o amor de cima para baixo – de mãe para filho – é muito maior do que aquele de baixo para cima – de filho para mãe. Ele também vai ficar triste quando perceber um dia, já avô, que seus filhos gostam muito mais dos seus próprios filhos do que dele, o que é natural. E isso não é bom nem ruim, nem justo nem injusto: apenas é. 

Como a angústia das mães brasileiras com a segurança
compromete o desenvolvimento das crianças

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Ser mãe no Brasil é… dizer não, ainda que com o coração apertado, quando a babá pede para passear com a criança na pracinha do bairro. Não desgrudar os olhos da janela na primeira vez que seu filho pede para ir sozinho à padaria da esquina. Inventar atividades dentro de casa (no máximo lá embaixo, no playground do prédio) para protegê-lo dos riscos da rua. Encher-se de aflição ao deixar o pequeno em uma festinha. Não é exagero: as mães brasileiras estão entre as mais preocupadas do mundo – 65% delas reconhecem que, por causa de suas próprias ansiedades, não deixam os filhos brincar fora de casa. Elas só perdem em aflição para as mães turcas (83%), de acordo com uma pesquisa da Unilever feita com 1 500 mães de meninos e meninas de 1 a 12 anos, de dez países – de Estados Unidos, Inglaterra e França a Turquia, Índia e Tailândia. Do temor de seqüestros e assaltos ao simples medo de o filho se machucar, as brincadeiras ao ar livre são um tormento para as mães brasileiras. Mas elas vivem um dilema: embora evitem que seus filhos brinquem fora de casa, reconhecem que o contato com outras crianças, as atividades na rua e a independência são fundamentais para o crescimento saudável deles. Segundo o levantamento, sete em cada dez se preocupam com o fato de que os pequenos passam muito pouco tempo brincando fora. “A criança está sendo privada da oportunidade de brincar, de se divertir, de aprender a partir da própria curiosidade”, escreveram os autores do estudo, o professor de psicologia Jerome Singer e a pesquisadora Dorothy Singer, ambos da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

 

A insegurança das mães brasileiras, bem acima da média global, que é de 48%, é compreensível. Brasil, África do Sul e Índia estão entre os dez países com as mais altas taxas de seqüestro. Nas principais capitais brasileiras, onde o índice de furtos, roubos e assassinatos é altíssimo, a conseqüência mais evidente é o pânico da exposição. Mas há um limite de razoabilidade para esse tipo de preocupação. Pais excessivamente protetores geram crianças ansiosas e inseguras. Não se trata, obviamente, de deixar os pequenos soltos na rua, sem nenhuma supervisão. O problema hoje é que muitos pais, sob o argumento de que o mundo é extremamente violento, nem mais permitem a seus filhos atravessar a rua sozinhos ou andar de ônibus. “A criança precisa enfrentar a vida, com todas as suas vicissitudes. Do contrário, corre o risco de ficar extremamente dependente”, diz a psicopedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O mesmo vale para o temor generalizado de que as crianças se machuquem quando brincam fora de casa. Convenhamos, afastá-las do risco ou optar pelo playground com piso emborrachado não as estimula a se defender dos perigos. “Eliminar do desenvolvimento infantil a brincadeira livre e descompromissada prejudica o desenvolvimento físico e intelectual dessas crianças”, afirma Maria Angela.

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 Porque seus filhos brincam menos, uma em cada seis mães tem receio de que as crianças de hoje sejam privadas de sua infância. No Brasil, 86% das mães têm essa preocupação. “Embora eu tenha tido uma infância bastante diferente e livre, no interior de São Paulo, não deixo minhas filhas brincarem na rua”, conta a empresária Neusinha Farina, de 36 anos, mãe de três meninas de 10, 8 e 3 anos. “Prefiro os parques fechados, onde elas ficam mais seguras. É a realidade delas”, afirma. Há ainda outro tipo de preocupação materna que também ajudou a alçar as brasileiras às posições de liderança: o medo de o filho adoecer, contraindo vírus e bactérias pela convivência com outras crianças. E eis aqui um contra-senso. Cerca de 70% das brasileiras ouvidas consideram que sujar-se e entrar em contato com vermes é uma experiência valiosa para os pequenos. Ainda assim, elas evitam os espaços públicos. Brincar com terra, areia e água, ao contrário do que muitas mães imaginam, torna o sistema imunológico das crianças mais resistente. Além disso, como bem reconhecem as mães entrevistadas nesta pesquisa, brincar em parques e praças é a atividade que melhor proporciona a formação de vínculos com o filho.

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Como a aflição materna influi diretamente na quantidade de tempo que os filhos passam dentro de casa, é inevitável que isso acabe por colocá-los diante de um aparelho de televisão. Desde muito cedo, eles se tornam dependentes de TV, vídeos e computadores. Oito em cada dez mulheres relatam que seus filhos vêem televisão com freqüência – especialmente se as crianças forem maiores, entre 7 e 12 anos. Não se trata de condenar esse tipo de atividade. Mas o ideal, dizem os especialistas, é que o passatempo se resuma a cerca de uma hora por dia. Bem menos do que a média atual dos meninos e meninas brasileiros, que passam três horas e meia diárias colados a uma tela. Esse problema é ainda maior em famílias com poucas crianças – quanto mais filhos em casa, mais eles brincam fora, mostra o estudo. Por fim, a falta de tempo das mães é, ao lado da questão da segurança, o maior obstáculo à brincadeira dos filhos. “As mulheres, de forma geral, são muito sobrecarregadas. Além das pressões externas, existem os conflitos internos, como o pouco tempo para se envolver com os filhos”, escreveu o casal Singer. Quem paga a conta dessa sobrecarga são as crianças.

 

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